[Poetrix] Tempo
sexta-feira, 3. setembro 2010 10:00 | Autor:Guto
Minutos
Distorcidos pelo prazer e pela dor
Imensuráveis
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sexta-feira, 3. setembro 2010 10:00 | Autor:Guto
Minutos
Distorcidos pelo prazer e pela dor
Imensuráveis
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quinta-feira, 2. setembro 2010 10:00 | Autor:Guto
Veja:
Na aparência, no olhar
Algo escapa a certeza.
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quarta-feira, 1. setembro 2010 14:24 | Autor:Guto
Não sei de nada
Intuiria algo
Nas marcas da tua mão
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quarta-feira, 25. agosto 2010 8:07 | Autor:Guto
As mãos que plasmam o futuro
Estão rotas.
Suas recompensas, tão parcas,
Tão poucas
São entregues como ao pedinte, ao indigente.
Desmerecidas que são em suas obras,
Relegadas ao esquecimento das sombras
Passam a acreditar na desimportância que lhes atribuem
Definhando-se no descaso que lhes constituem.
E mesmo pobres e desacreditadas seguem:
Erguendo edíficios, pintando quadros,
Instruindo pupilos e manobrando carros.
Porque há entre a batida do cartão
E o brandir do martelo
Uma força, um mistério,
Que exige ao humano continuar mesmo quando nega a razão…
…E lutar impulsionado pelos revezes do senão!
Porque há algo além que o impele a não cruzar os braços
Quando ainda há a sua frente tantos espaços
Que agora são só tocados pela imaginação.
E desse silencioso ou ruidoso trabalho que se faz
Por mãos daqueles tidos como meros e ínfimos mortais
Que se sustenta e se guarda toda a civilização.
Categoria: Factory | Comentar (0) | 30 visualizações
quarta-feira, 11. agosto 2010 8:56 | Autor:Guto
Ah Tu que fria
Ergue-te assim
Diante de mim
Altiva e esguia,
A me olhar
Com o olhar das serpentes!
E em meio aos movimentos eloquentes
Da tua língua audaz
Vi o portento que nos traz
Desejar-te, ó carne feminina,
Caixa de Pandora
Contedora de prazer!
Vêde que feliz creio que te sei fazer
Se nos meus braços lhe envolver
E olhar nos teus olhos negros e demoníacos
Que tua vilaneza denotam,
Ó mulher sombria,
Filha arredia
De um apátrida sem par!
Vede que pousando minha mão por detrás da tua cabeça,
Enquanto a outra pelo teu corpo talvez desça,
Posso sentir mais profundamente, ó força,
Que vejo encerrada nesses olhos felinos!
Nesses belos traços femininos!
Mulher!
Teu perfume é o vácuo que se encerra no coração!
Tua atração é a frieza e o cálculo da tua razão!
Ó morena de olhos malditos,
Como eu te amo!
Digo mais!
Me sinto diante de algo luciférico,
Me parece que as chamas do inferno
Ardem no formato lindamente esférico
Dos bicos dos teus seios!
Mulher! Tu és lindamente pérfida!
Maravilhosamente macabra!
Perfeitamente fétida!
Fazer amor contigo
É como adorar o demônio!
Beijar-te o umbigo
É despertar fúria
Que ensoberbece o coração e faz injúria
Às coisas divinais!
Ó morena fria
De lábios cheios de lembranças sepulcrais!
Ó morena fria
De infernos lindamente vaginais!
Penetrar-te é mergulhar no Averno!
Alucinar-te é compactuar com o eterno…
…Eterno gozar de prazeres do Orco!
Ó morena fria
De falar tão terno!
Categoria: Certas mulheres, O Fim | Comentários (1) | 54 visualizações
quarta-feira, 4. agosto 2010 10:08 | Autor:Guto
Antes da tarde
A noite versejava
Buscando o teor da rima correta
Que vagueava pelas paragens do dia.
Tardia veio com seu manto
A sentar-se por sobre montes e verdes campinas
A divagar sobre sinas eternais.
Nesse dia, Tarde, que maior,
Estendeu-se às paragens do relento
E sem tempo
Viu-se indignada com a preguiça da irmã:
- Afã – disse – é uma coisa boa,
Desde que vida não se entenda com seriedade,
Mas, à toa.
- Boa – argumentou – é a leoa
Que espera o parto
Caçando o veneno dos insetos
Que perpétuos
Andarão nas garras dos seus filhos.
A noite, com a pena à mão,
Estendeu seu manto
E com o pranto
Depositou na terra
A rima tardia,
Que arredia,
Encerra o mistério do sol.
Categoria: Noite | Comentários (1) | 76 visualizações
terça-feira, 20. julho 2010 10:38 | Autor:Guto
Se jogada à toa
Por sobre o papel foi a poesia
É porque tardia
É a hipocrisia do escritor.
Categoria: Versos Medíocres | Comentar (0) | 46 visualizações
quarta-feira, 14. julho 2010 14:00 | Autor:Guto
Já brincaram de ânsia alguma vez?
Eu o tenho feito a vida toda!
Tanto que se tornou brincadeira boba
Para minha pessoa em sua eterna insensatez!
Sabem, era hórrido (bem, ainda é),
Porém acostuma-se a frustrar-se.
No fim consolo é que estamos mesmo fadados aos vermes
Que estão à regozijar-se…
E então o que?
Num dia, numa noite, num sonho
O destino acorda risonho
E te dá o néctar dos deuses!
E tu bebes, te embriagas!
E no meio da bebedeira
Tu sentes a vida correr-te pelas veias!
Parece que quebraste as teias e os círculos
Da sorte!
Quebraste o tear das Parcas!
A vida é um céu!
Cada detalhe da felicidade tu marcas
Em cada árvore da imaginação!
És agora um menino, estilete à mão, apaixonado!
És agora um homem, sorrisos e lágrimas em profusão, enfim libertado!
Depois de séculos de prisão!
Então, gira a roda da fortuna:
Bem vindo ao mundo!
Bem vindo à frustração!
Categoria: Separação: Dores de parto e outras dores | Comentar (0) | 49 visualizações
quarta-feira, 7. julho 2010 14:00 | Autor:Guto
Uma era se vai
E outra se levanta.
As coisas são como são: se sucedem.
Isso não me espanta.
Deixar para trás
Faz parte do processo,
E ficar possesso,
Não dar vazão à paz,
É uma grande besteira.
As multitudes vêem
Os períodos glórios
Como imbatíveis territórios
Ou obeliscos gigantescos,
Mas para forjar pretextos
Ante à passagem do tempo
Erguem altares à ídolos adornados de adereços
Aos quais louvam mesmo diante do rugir do erosivo vento.
Então, assim não se adapta ao novo
A mente humana,
Essa analfabeta insana
Que se julga detentora do poder ao impedir o quebrar do ovo.
Bem, de fato não o impede,
Mas prefere viver em mundos virtuais
Onde o pássaro-demônio ainda nem passou
Do que observar a casca que diante de si cede
Ante as investidas cerberais
Da noite que ali se ocultou.
E quando o recém nascido
Estende suas asas flamígeras
Abarcando toda extensão do manto noturno,
Essa velha afirma ver o mesmo cansado sol enfraquecido
Na já conhecida celeste abóboda ridícula
Sob um ar causticantemente diurno.
Arranquem os olhos então!
Cegos!
E vejam!
Nessa cruz não há pregos!
Nem sangue!
Nem mártir!
O tempo já deixou à parte,
Por sob a terra,
Esses ares aos quais fazem tal alarde!
Não é hora de se masturbar
Em nome da moribunda esposa!
É hora de nova amante!
Nova alcova!
É hora de novos demônios enfrentar
E deixar velhos guerreiros
Finalmente e impostergavelmente
Ao descansar!
Por isso
Assassinai os ídolos!
Buscai nos vestíbulos
Pelas sombras do passado,
Mas por favor,
Não vão ficar aí parados
Ouvindo conversas de comadres
Provindas de sermões de padres!
Não vão ficar aí por fim
Dizendo: “Ó quão belas são minhas estátuas de marfim!”
Só vocês não percebem:
Estátuas não se movem!
Categoria: Algum Ódio | Comentar (0) | 54 visualizações
quarta-feira, 23. junho 2010 14:00 | Autor:Guto
A cadeira de balanço
Vai e vem
E o ranger de suas madeiras
Uma história contém.
O velho que por sobre ela senta
Tal história conhece muito bem,
E seus olhos azuis, cansados e cegos,
Aparentam que tudo vêem.
Porém o velho nada está a olhar.
Seus pensamentos viandantes
Estão aprisionados numa carcaça
Incapaz de voar
E do tédio, a taça,
Passa os dias a bebericar.
Na lareira, cinzas ancestrais
O fogo não queima.
A madeira inexistente não teima
Em querer ressuscitar…
…Para queimar…
O velho levanta um pouco sua cabeça
E no seu semblante
Um ar de quem conhece a peça faltante
Do quebra-cabeça
Está a se demonstrar.
O velho sorri,
Mas seus olhos são frios.
Enquanto a cadeira fica a balançar.
A madeira do assoalho é suja e gasta
E sua velhice desgasta
A juventude de quem nela pisar.
Seu jogo é calmo e eterno.
Eterno friccionar
Com a cadeira à balançar.
Na parede há uma moldura
Sem quadro.
Perto à porta há uma escultura
Que tal retrato
Fica a contemplar…
…Enquanto ouve o barulho da cadeira a balançar.
O velho sabe e espera
Pelo dia em que a cadeira,
Tal quimera,
Parará de balançar…
Categoria: O Fim | Comentar (0) | 52 visualizações