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Solidão

sexta-feira, 22. julho 2011 19:20

I-Cotidiano (a quota de um ano)

Eu sou um demônio cansado
E cansado sigo.
Queria ter um amigo
Mas só tenho o meu C.D.

Eu sou um humano comum
E comum me desligo.
Queria ter um abrigo
Mas só tenho o meu apê.

Eu sou um animal covarde
E covarde me obrigo.
Queria conversar contigo
Mas só conversa comigo a T.V.

Eu sou um homem calado
E calado te digo
Que este terno e esta gravata com os quais estou vestido
Fazem com que os outros não consigam me ver.

Eu sou um deus como qualquer um
E como qualquer egocêntrico consigo
Ficar sozinho sem o perigo
De ninguém me submeter.

Eu tenho dois controles remotos.
Eu tenho um amor remoto.
Eu tenho um remoto pensar
De que estou vivo em algum lugar

E em algum lugar te digo
Que te amo e queria estar com você
Mas alguém desligou a T.V.
O C.D.
E você!

Turn Off!

II-O estranho no apartamento

Eu tenho uma coleção de noites sem sonhos.
          Gostaria de ver?
Eu tenho uma galeria de dias repetitivos.
          Quer conhecer?

Eu tenho uma porção
De mundos virtuais
Na minha recordação!

A criança-e-suas-mitologias cresceu!
A criança-e-seus-livros-de-história cresceu!
          Já é um homem!
E hoje os vermes o consomem
Esperando retornar ao pó!

Você pode me ouvir?
Tem alguém aí?
Há alguém aí, fora dessas quatro paredes?
Ou acima deste teto?
Ou abaixo desse chão?

Sabe o que é, não queria te importunar,
Mas é que o concreto
Do meu coração
O colocaram mal.

E eu sinto umas coisas estranhas!
Li em livros que se chamam tristeza e solidão,

Mas ninguém as conhece
Pois nas suas entranhas
Dizem do sangue ser gelado!

Sabe o que é,
Eu não queria te importunar,
Mas queria que você descesse aqui
Pra gente se abraçar!
Só uma vez!
Só uma vez…

Categoria: Solidão | Comentar (0) | Autor: | 83 visualizações

{Po(v)e(r)t[r]y} Ariel Delizar

sexta-feira, 22. julho 2011 19:12

Um nome
   Que dorme
     Na ânsia
       E avança
         Para o tempo
           De ser possuído.

Quando vestido
   Será força
     No coração
       De uma moça,
         Uma mulher,
           Que hoje
             Sequer
               Nasceu.

Quando compreendido
   Será querido,
     Amado
       E temido
         Por quem não o compreendeu.

Ariel Delizar é o próprio amor.
Ariel Delizar é o próprio fervor

Na fúria,
   Na vingança
     E na luta.

Ariel Delizar
É a própria magia
Que irradia
O poder.

Ariel Delizar
É a própria alegria
Que evidencia
O compreender.

Ariel Delizar é sombria:
Senhora das Trevas
E Dama dos Sonhos
Que rindo descreve e enreda
O nosso coração nos seus caminhos errôneos!

Ariel Delizar é um dia!
É fera arredia
Em forma de flor!

É o silencioso clamor:
“Ariel Delizar. Ariel Delizar. Ariel Delizar.”

Esse nome
   Que dorme
     Pertence
       Ao futuro,
         Que escuro
           Resguarda

O claro nascer
De raro prazer

De uma criança
Que é minha esperança,

É minha alegria…
…É minha filha:

Ariel Delizar
Que não deixará coração algum
Sem se apaixonar…

“Ariel Delizar”!

~0~

No futuro
Há um ponto
Que insiste em não se apagar

E em meio ao obscuro
Me deixa tonto
Com o seu brilhar.

Meu ébrio coração
Fica cego de emoção
E contempla a imensidão
De uma ânsia com explicação:

Um nome e um sonho.

Sonhei a vida contemplando essa fome
E passei o sonho vivificando esse…

…Nome!

Essa que dorme
No porvir!

Há de vir:
Um dia, uma noite e um sonho!

~0~

Hoje eu te chamei.
Não foi em vão.
Pois eis que contemplei
A explicação!

Me veio em forma de palavras
Que bravas
Enfrentaram calmamente tormentas
Que alimentas
Sem razão!

~0~

A página branca diante de mim
E as palavras já escritas atrás dela
Que insatisfeitas ficaram para trás.

A inspiração à beira do fim
E uma idéia que impera:
Circunstâncias conflitantes roubando a paz.

Há algo…

Porém esse algo desenha uma fome irredutível
Que ao externo imperceptível
Vivifica a aspiração vivaz.

Sonhos delirantes!
Diamantes
Que berrantes
Na sua rósea coloração
Fazem prósea dissertação.

Caoneosfera irricidente.

Categoria: Sonhos e Visões | Comentar (0) | Autor: | 85 visualizações

O Açoite

domingo, 19. junho 2011 11:18

Por que me açoita açoite?
Por que me açoita açoite?

Açoite! Açoite! Açoite!

Por que me açoita?

Açoita!
   Açoita!
     Açoita!

Açoite!
   Açoite!
     Açoite?!

Por que me açoita açoite!?

Açoite!
   Açoite!
     Açoite!

Por que me aceita açoite?

Aceita!
   Aceita!
     Aceita!

Por que açoite aceita?

Por quê!?
   Por quê!?
     Por quê!?

Aceita?!
   Aceita!
     Aceita!

Por que aceita o açoite?

Me aceita!
   Minha seita!
     Me aceita!

Açoite?!
Eu te aceito!!!

Categoria: Considerações | Comentar (0) | Autor: | 90 visualizações

O Trem a Vapor

sexta-feira, 27. maio 2011 20:50

*Singela paródia da música “A Banda” de Chico Buarque

Tava com nhaca da vida
E o meu amor me chamou
Pra gente ir se matar
No trilho do trem a vapor

Da minha vida sofrida
Despedi-me com ardor
Me deixando esmagar
Pela locomotiva a vapor

O homem sério que contava dinheiro parou
O faroleiro que contava vantagem parou
A namorada que contava as estrelas parou
Para ver, ouvir e dar passagem

A moça triste que vivia calada sorriu
A rosa triste que vivia fechada se abriu
E a meninada toda se assanhou
Pra ver a carniçada voar
Do trilho do trem a vapor

Tava com nhaca da vida
E o meu amor me chamou
Pra gente ir se matar
No trilho do trem a vapor

Da minha vida sofrida
Despedi-me com ardor
Me deixando esmagar
Pela locomotiva a vapor

O velho fraco se esqueceu do cansaço e pensou
Que ainda era moço pra sair no terraço e dançou
A moça feia debruçou na janela
Pensando que merda toda era aquela

A viscerada se espalhou na avenida e insistiu
A lua cheia que vivia escondida surgiu
Minha cidade toda se enfeitou
Com as entranhas espalhadas pelo trem a vapor

Mas para meu desencanto
O que era doce acabou
Limparam todo lugar
Depois que o trem passou

E cada qual no seu canto
Em cada canto uma dor
Só ficou meu sangue a pintar
O trilho do trem a vapor
Só ficou meu sangue a pintar
O trilho do trem a vapor…

Categoria: AnarcoPoeticSongs: PoeticLongWayDisturb | Comentar (0) | Autor: | 121 visualizações

A última folha do Outono

terça-feira, 24. maio 2011 17:27

A última folha do Outono
Sente o vento querendo arrancar-lhe.
Ela sabe, embora não tenha carne,
Que até sua árvore lhe entregou ao abandono.

A última folha de Outono
Não quer morrer.
Cortar o cordão umbilical do galho
E se jogar ao chão onde a sujeira e não o orvalho

Irá lhe acariciar.

A carícia do bem é um sonho humano para a pequena folha.
Seca não vê que a luciférica escolha
Arrasta toda a criação
À putrefação da sabedoria.

A morte e suas facetas,
A dor e os seus adornos,
A sujeira do chão e os seus contrastes
Se miscigenam com o ar
E se insinuam no arfar
Do vento cansado.

A morte que rouba a vitalidade de todas as coisas
Está no ar, nas águas
E há de levar todas as formas ao seu descanso derradeiro

Na sujeira!

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Se tivesse que te dizer algo

sexta-feira, 20. maio 2011 14:54

Se tivesse que te dizer algo
Diria que não gosto de você.

Não gosto do seu cheiro
Do seu hálito
Do seu riso fácil
Da sua anca indócil.

Fatalizado pela máxima bíblica:
“O que devo fazer não faço
Mas o que não devo faço constantemente”

Te como todos os dias alegremente.

Mas há o postulado que me conforta,
Lá no Novo Testamento que exorta,
Que mal nos faz o que sai da boca
Jamais o que entra na supradita cloaca,

Por isso nem todo o caldo de sua vagina
Há de enviar minha alma incorruptível ao Hades
Que segue preceitos sacros como sina
Por exagerar na exploração de todos os seus lugares.

Categoria: Certas mulheres | Comentar (0) | Autor: | 101 visualizações

A Primavera

segunda-feira, 9. maio 2011 10:47

“A Primavera
   Certeira
     Vem
       Ligeira
         À mente
          Que sente
            Seu clangor.
               A primeira
                 Cegueira
                   Vem
                     Altaneira
                       Mostrando
                         Certeira
                           Viagens,
                             Sonhos
                               E flor!”

Joga para o passado
O teu passado
Que com certeza
Do passado não sairás!

E passa do tempo
Em que os dias tão quentes
Eram carentes
De outras formas mais comuns!

Agora a sombra tão fulgídia
É necessidade de vida
Que se arremesa contra o interlocutor.

Mas vai como louca
Porque grita e não fala!
Porque chora e não cala
A criança que há no seu interior!

É apenas uma armadura.
É apenas uma armadilha.

Pois cingidos de reforços foram os corações,
Mas todos eles caem em turbilhões
De súplicas!

Categoria: Considerações | Comentar (0) | Autor: | 102 visualizações

Pego uma folha qualquer

sexta-feira, 15. abril 2011 10:06

Pego uma folha qualquer
E sequer
Noto ou penso
Como vou escrever.

É que
De lagos fétidos
Onde se foram derramados
Litros e litros de escórias humanas
Vejo, insanas,
Vozes mundanas que permeiam o gramado
Dos meus inquéritos
Sobre o divagar
E o navegar
Da luz por sobre a sombra
Tal qual pérola flutuante
Sobre negro lôdo.

Tal pedra, espelhando um diamante,
Brilha insistentemente ao luar.
E na hora de se derramar
O ponto nodal
Por sobre florestas de vísceras disformes
Poderá se empregar então
Um novo vocabulário
Por sobre o qual
Rolam pedras
De hieróglifos incontidos
Onde registrou-se
A morada de onze ferozes ferinas feras
Que nas férias da dissecação
Puderam visitar um amigo legista
Em sua cabana
No alto da montanha.

Mas quando a final façanha
Se sobrepor aos nossos anelos
Veremos que anéis singelos
Circundam formas derradeiramente noturnas
Enquanto viagens são empreendidas
Em busca de nada.

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Como caem lendas ideais

quinta-feira, 14. abril 2011 10:22

Como caem lendas ideais
Singram astros os vazios.
Seguem seu caminho circular e intraçável
E nesse caminhar pouco maleável

Acumulam histórias de tédio e transformação.

E o Sol entrega à Nebulosa o seu futuro.
A vida é um mar obscuro
Que não pede perdão.

O espaço é um negro profundo
Que pode ser contido nos ciclos do coração
E na perda da ilusão.

O Sol entrega o seu filho à Nebulosa
Que deslizará pela curvatura do espaço-tempo
Que será arremessado à distância pelo nascimento da SuperNova,

Mas são tão poucas as estrelas do céu
E tantas as crianças que dormem ao léu.

Estrelas renascem.
Crianças brilham.
Crianças fenecem.
Estrelas se consomem

Quando chamo seu nome.

Quando caminho ao relento
E me acompanha o vento.
Quando fico em paz
E passa o tempo

Medindo as distâncias
Entre o Mar da Tranquilidade
E uma conversa de covardes.

Mas continuam as rotações
E as órbitas.

Estamos caminhando.
Estamos nascendo, vivendo e morrendo.
Estamos retornando ao mesmo lugar:

Ao pó das estrelas,
Às nossas centelhas
De ilusão.

Aos nossos momentos e intentos
De dispersão.

E singramos espaços:
O cansaço levamos nos traços,
O caminho, no coração.

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Folhas límpidas

quarta-feira, 13. abril 2011 14:30

Limpa folha
Límpidos e horríssonos olhos
Mortais fatos
Coisas mortas
Cadáveres putrefatos
Idéias transcendidas
De transcendentais despedidas
Ponto, vírgula e traço
Nem tudo circunda o meu compasso
Se colocado no centro
De uma grande confusão
E se o sentido escorregou
Pela minha mão me deixou
Chorando os pontos não traçados
Em lagos límpidos de sana loucura
E já tanto tempo
Tem que o vento
Já não sopra por aqui
Volte um dia
Estou esperando…

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