segunda-feira, 1. junho 2009 0:00
Estes Lagos se encontram aqui como depositários de pretensas parafernálias de minha autoria. No entanto abri este espaço (O Outro Lado do Céu) para coisas diversas.
Essas coisas diversas nesta postagem compreendem: fazer algumas divagações (estas sim provindas da minha cachola), reparar uma injustiça (de acordo com a cachola previamente citada) e publicar escritos de outrém (finalmente minha cachola não tem relação com o último; ou teria? Só se no sentido de aprovação dos mesmos). De qualquer forma me pareceu pertinente então aí vai:
Diz a máxima taoísta que o auge de um extremo leva ao seu oposto. Ou, como diria o I Ching, um Yang Velho se transformará num Yin Jovem e vice-versa. Dito isso faço duas analogias:
1a: O Twitter: quanto mais pessoas se segue na verdade menos pessoas se segue. O excesso de informação leva a ausência de informação.
2a: O advento do mp3: não raro me pego falando sobre a época em que de fato comprávamos LPs ou CDs. Comprar um CD era um evento (pelo menos para mim). Na maioria das vezes as coisas que queria ouvir tinham que ser encomendadas antecipadamente e vinham da Europa ou dos EUA. E havia toda aquela espera, aquela antecipação até a chegada do disco na loja. Quando o mesmo chegava ia para casa e me dedicava a ouvi-lo, me embrenhar no encarte, encontrar referências, digerir letras e assim por diante.
Hoje em dia tudo está imediatamente acessível. Conhecemos conjuntos de diversos lugares do mundo, dos mais diferentes estilos a distância de um clique de mouse. Mas a facilidade torna tudo banal, o que era advento hoje é corriqueiro e no vocábulo “Conhecemos” da frase anterior colocaria realmente aspas, porque o acesso a tudo nos leva ao acesso ao nada.
Tive essa teoria corroborada por um fato ocorrido neste final de semana: Um amigo me emprestou um CD de um grupo nacional da década de 80, o Vzyadoq Moe. Bom, se não houvesse o encarte nas minhas mãos onde pudesse ler a excelente poesia de Fausto Marthe ela me seria eternamente desconhecida, pois, mesmo ouvindo o CD, raramente se distingue o que o vocal canta (dado o estilo do grupo). Quem quiser saber mais sobre o conjunto e ouvir a soniridade pode encontrar algo no Trama Virtual e links para download dos discos no Webhermetica.
Enquanto ouvia a música Twittei sobre o grupo e quis procurar um link onde houvesse a letra para caso alguém quisesse conferir. Não encontrei absolutamente NADA. Haviam sim sites que falavam sobre a banda, mas letra? Nenhuma, em nenhum lugar. Aí está a injustiça que pretendo reparar publicando a letra de “Não Há Morte”, e o “outrém” cujos escritos pretendo divulgar aqui são justamente de Fausto Marthe, letrista da banda.
Pretendo colocar paulatinamente todos aos que eu tiver acesso (no caso os que se encontram no disco “O Ápice”). Segue o primeiro:
Não Há Morte
Ousaste n’infância temer a doença,
Lançaste ao vento mil sortes remotas;
Não estás na verdade em Alma e transe,
E o Amor urge, não tarda ou recua.
E se não sabes também caminhar,
E o Amor clama por ti, pelo Alto céu,
Deixe que as antigas amarras desandem
E nos visitaremos na distância ativa.
Digo; e se nada te fere ou rebate,
Então, qual remédio é a fonte, o final?
“Não há morte que sane nossos males”.
Nossas sortes fluem, como na correnteza,
E o Amor urge, não tarda ou recua…
Não há morte que sane nossos males?
Fausto Marthe