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A importância medida na carne

quarta-feira, 30. março 2011 10:14

A importância medida na carne
Não pode ser esquecida na dor que arde
O álcool atirado sobre a ferida exposta
Fará toda lembrança viva e a mostra
E esterilizada a chaga uma vez adquirida
Revelará dor maior que a chaga antiga
Essa chaga feita nas nuas costas
Pelo látego das vãs frívolas apostas
De amar-se dilacerado no fogo que arde
Trinchando-se na importância da carne

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No sonho daqueles que nos perderam

quarta-feira, 5. maio 2010 16:02

No sonho daqueles que nos perderam
Somos a nódoa da sombra
Que embranquece a luz.
E inerentes à coloração dos mortos nos fizeram,
Perdidos sob a relva,
À sustentar uma cruz.

E nos deram motivos para chorar à noite.
E nos deram lembranças e carinhos de açoite.
E nos fizeram voltar ao chão.

E singramos como os vermes
As paragens do húmus
Enquanto a mente estéril concerne
Os erros que ergueram nossos túmulos.

E as lembranças de quando éramos vivos
Nos escorrem da boca feito néctar sangüíneo.
Cavando túneis onde não chega o som dos sinos
O lembrar se transforma num caminho retilíneo.

E do transformar da sombra em sombra
É que se ergue a nossa mágoa.
Pois em pensamentos dividimos águas
Mas em toda fútil fúria nossa alma se assoma.

Pois ninguém nos rasga a carne na cama.
Pois ninguém nos compra a alma de lama.
Ninguém nos chama. Ninguém nos ensina.
Ninguém nos faz chorar.

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Sou o último herdeiro

quarta-feira, 24. março 2010 8:00

Sou o último herdeiro
De herança que ninguém quer
E é por isso que um filho meu
Jamais conceberá nenhuma mulher.

Levo nos ossos a desdita
Do vicioso círculo do samsara
Essa roda cruel e maldita
Que esmaga corpos e jamais pára.

Levo nos ossos a desdita
Do vicioso círculo do samsara
Tem piedade, meu deus, e livra
Teus filhos dessa corrente que nos é cara.

Se tivesse a opção
Que escolheria?
Da liberdade a benção
De não repetir-me mais um único dia.

Dorme entre os lençóis da Eternidade
Ó criança concebida longe daqui
Nunca acorde para a realidade
Desprovida da lança que te pedi.

Pois se acordares e me incitares para a guerra
Desarmado com certeza vou cair.
Pois se abrires a caixa que o lamento da minh’alma encerra
Nunca, nunca mais vais conseguir dormir.

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O baixar da fronte diante do mar (O possuir do horizonte ao se contemplar)

quarta-feira, 2. dezembro 2009 8:48

Mares observo da praia
E ao longe vai o pensamento fortuito
Levado pelas ondas marinhas com o intuito
De seguir o meu querer que diz: “Se esvaia.”

As distâncias que separam
Do longínquo horizonte
Agora não me amparam
E baixo a cerviz, baixo a fronte.

O contemplar do mundo distante,
Bem para lá, esquecido e ocultado,
Forja o sentir do nada causticante
Eternamente por nós arquitetado.

Viaja para o longe…
Que procura olhar meu que sente
As agruras do lacrimejar?

Seriam esculturas a se contemplar?
Seriam pinturas para se apagar?
Seriam loucuras para se delirar?

Ou simplesmente pôr-do-sol
Para o qual se fica a divagar?
Ou puramente amor no atol
Esquecido pelas rocas que o destino antes ficava a usar?

Ah Parcas. Tão parcas e tão Parcas.
São só três
E os fios que cozem e torcem e rompem na nossa tez
Constituem todo o bordado
Que equaciona o aspirado
E faz enclausurado
Quando ruge no telhado
A maresia da imensidão.

De tantos horizontes
Quantos e tantos mais
Deixaremos nos estuprar aos montes
Na praia ou no cais
Buscando na paz
O que a guerra não trouxe?
Buscando no apraz
O que a terra não ouve?

Então para que destilar
Desse mar e desse horizonte
A aguardente do bar
Ou o baixar da fronte?

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Bipartido e bipartido

quarta-feira, 2. setembro 2009 15:00

Bipartido e bipartido
Com que arte
Minh’alma se reparte.

E cada pedaço,
Do caminho o cansaço,
No caminho me refaço.

Mas mal trago de volta um pedaço de mim,
Outro se revolta, se desfaz assim…
Como poeira atirada ao vento.

Como pedras que se desempedram a contento.

Coesão!
Eis uma virtude quase beatífica!
Mas minha constituição nada pontífica
Cai em desconexão.

Rolam e rolam de mim os pedaços
Vítimas dessa lepra espiritual.
Caem estando no da amada o regaço
E caem na solidão sepulcral.

E não há doutrina!
Não há credo!
  Não há força!
   Que possa me reconstituir!

Já sou a separação encarnada
Que descarnada…
…Nem essa idéia irá persistir.

E as virtudes e os horrores
Assim à metade espalhados pelos campos do mundo
Hão de fecundá-lo
Mas não produzirão nada além de entulho.

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As lágrimas do inverno se foram

quarta-feira, 2. setembro 2009 13:00

As lágrimas do inverno se foram
E de longe te fazem relembrar
Elas te chamam ao claustro
E no claustro te põem a exorcizar

Demônios culminaram a encosta
Da sombra do teu coração
E se soprando ao léu se faz a memória
Esses novos ventos vêm e vão

A obra inacabada e insípida
O objetivo traçado e não cumprido
A miséria da tua máscara iníqua
No claustro te põem despido

O chicote é o sibilo no espaço
E o sangue é a poça no chão
O rio é o que marca o teu cansaço
Nas costas da tua imaginação

A ferida te obriga a continuar
Buscando sem fim uma cura
Mas longa é a caminhada
E pouco é o sangue que perdura

Teus olhos atirados ao sol
Tuas mãos plantadas na areia
O círculo se completa e com mão de ferro
Sua alma se incendeia

Expurguei os teus pecados
E te chamei pelo caminho
Mas na sombra do primaveril vale
Me deixaste sozinho

O sonho te oculta a nódoa
Mas você segue a trilha do cão
No dono procura repouso
No dono procura perdão

Teus sentimentos já são tão poucos
Que se perdem em meio ao ar
E quando a tristeza foi tamanha
Você não quis acreditar

O inverno ao longe vai
E tuas lágrimas agora são cristais
Outra estação trará um novo tempo
Um tempo novo para novos ais

Categoria: Dor | Comentar (0) | Autor: | 693 visualizações

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