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Quando tudo temos

segunda-feira, 6. dezembro 2010 10:00

Quando tudo temos
(Ou pelo menos coisas as quais apetecemos)
Sorrimos às luzes do meio dia
Dando feliz cantar ao sol.

Nesse tempo negamos a marca que nos fere a destra
E deixamos que, funesta,
A felicidade nos corrompa a harmonia
De nossa negra alma presa ao seu negro anzol.

Por tanto, de Lúciferes enraivecidos,
Passamos à ternos deuses esmaecidos
Na ânsia da orgia
E na beleza do atol.

Mas de quantas monotonias
Forja seu dia à dia
Ó Cíclope acorrentado à forja?

Tão voraz é a corja
Que se olhas esquerdo
Já se incita na mente o medo?

Ou a corrente é por demais bela
Que não vale a quirela
De ser maldito?

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O cancro na estrada

quinta-feira, 2. dezembro 2010 9:42

Eu sou um demônio antigo
Cuja idade não se conta
Com os dedos da mão.

Eu sou um alento perdido
Nos esgares da tosse
Provocada pelo toque da tua mão.

Ah! Desse deus louco quero distância!
Ainda que, minha vigilância,
Falhe à noite
E caia nas desgraças.

E que desgraças
São essas tão poucas
Que roucas, ou loucas, ou noutras,
Se levantam levantando dúvidas
E nos arrastam impúdicas
Pelas linhas de tua mão?

E se mão fosse parâmetro do destino
Que desatino não pode cometer a mente humana
Que cigana das formas vagueia por entre os menestréis do sonho?

Vagueia no enfado das estradas
E espia em paredes esburacadas à busca de corpos nus.

Tanto pus, meu deus, tanto pus!
E que juz
Faz essa ferida,
Esse cancro no nada,
À estrada na qual foi depositada?

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Na reclusão das formas

terça-feira, 30. novembro 2010 13:06

Na reclusão das formas
Posso ver através do meu olho vítreo
-Essa cúpula de fantasias e promessas de normas-
Um viajar derradeiro e único.

A decomposição dos heroísmos forjados
Na sombra do passado
No jogar de dados
Pelas mãos de uma criança

Que olhava para o universo
E su’alma se abria em identidade
Ao tamanho, à estranheza, à majestade
Desse manto noturno lúgubre e perverso

Que ostenta em si
A calmaria vigilante do aspirar dos deuses.
Porém, aqui,
Observamos que, às vezes,

Nada disso tem importância
E em outras faz o alarde
Da chama que em mim arde,
Nos infernos que forjei nos olhos obscuros da minha infância.

Aqui, apenas a final miscigenação
Ante a glória da putrefação
Do caminhar do humano jogado ao vácuo.
Tudo isso nos é nato.

Apenas vivenciei
   Dos dias
     Em que cadeiras foram colocadas nas mesas
       A dor das presas

Do coração!

Tal qual trevosa fera
Impera na destruição!

Agora
   Só rolam dos espaços
     Os abraços
       Que empreendi

Mas, aqui!

A calma é obscura!
Continuar? É loucura!
Parar? É insensatez!

Então, me jogo de vez!
O abismo está lá!
Naquele lugar
No qual nos recusamos olhar!

E falar
   É tão caro
     Que não raro
       Fico à desdenhar!

Desse inferno cotidiano!
Desse sentir humano!
Desse arquitetar tirano

De 5 dias nos quais jogamos o tempo ao tempo
Esperando ao relento do intento
Algo mais quente que corra por debaixo da tez!

“Agora é minha vez!”
         E rolam os dados…

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Penalidades foram julgadas

sexta-feira, 26. novembro 2010 10:00

Penalidades foram julgadas
E medidas
Contra a irracionalidade do viver!

Regrar o ter
É como sonhar com a Besta-Fera
Que impera
Na destruição!

Vigiarei do alto da torre teu coração
E se não sonhares comigo
Quebrar-te-ei a união!

No fogo,
Nas chamas,
Violei tua emoção!

A sensação é branca!
É negro o temor!
É corrupto o cárdio-mantenedor!

Visci eviscerada forma
De sombras deixada
Caída em turbilhões de mentes convalescidas
Que buscavam um messias capaz de apaziguar a dor!

Olhos fixos no espaço
Para um mundo sem futuro!
Mão cuidadosa na abertura do compasso.
O círculo se fecha
E tudo fica escuro…

…Nesse subconsciencioso versejar…
…Menos a dor.

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Uma estrela (e tão somente)

quarta-feira, 24. novembro 2010 11:28

O peso da caneta em minha mão
Se demonstrou convidativo,
Enquanto eu, cansativo,
Tenho algumas dores para chorar.

Nesse lago de formas
No qual atirei a minha vida
Vi despida
Uma bela senhora
Convidativa à dores.

E hoje, farto de amores,
Deixo tal dama dentro do lago
Enquanto fora e nas margens deitado
Olho o rubor noturno
Ante a minha miscigenação!

As estrelas do céu
São como irmãs desdenhosas.
Enquanto a noite,
Mãe desgostosa,
Fica por mim à lamentar.

Olhando assim para o céu
Num dos fulgores noturnos me fixei
E sensação tal alentei
Que me é difícil descrever!

Vi na face daquele astro arredio,
Dessa ninfa que com as demais se recusa à brincar,
A minha vida toda escrita,
Despida
E arremessada contra minha face!

E eis que nasce
O fator devastador
Que ruge nas sombras!

E dentro da caverna
Os olhos da fera brilham!
Dentro da alma escura
Uma caserna
Onde lanterna alguma resistiu acesa!

Minha alma agora coesa
Pode sentir do poder a amplidão.
E na certeza
Da aspiração pelo vácuo
Enclausurou o meu coração.

O claustro liberta a minha razão!
A solidão impera na minha decisão!

E das sombras e luzes que separei
Medi o arco,
Observei no alto a esfera
E a espera me cansou!

Por quantos dias
E noites frias
Ficarei enclausurado na prosperidade
Buscando o chão do meu amor?

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À Procura da Alma

segunda-feira, 22. novembro 2010 10:00

Andando pela terra
Com a mente viajando em céus
E o coração rasgando diferentes véus

Sigo.

Quis aqui edificar
O meu sonhar,
Numa busca sem fim que ele em si encerra.

Buscando os pedaços de mim
Perdidos neste mundo de formas sem fim
Caminho.

Enclausurado em tantos falsos ares.
Sonhando nostalgicamente com já visitados altares
Nos quais nunca estive sozinho.

Hoje, magicamente, ergo um pouco mais a fronte,
Contemplo o horizonte
E vejo o que há entre o centro e os extremos do meu ser:
Coisas que nunca cheguei a saber.

Não as via
E por isso acreditava que não existiam.
E duvidava
Porque assim meus pensares me restringiam.

Destruo a esfera do meu mundo
E vou voando em busca da minha alma!
Sou uma ave que saiu do ovo
E quer construir seu próprio ninho!

Vôo em busca da minha alma!
Essa amante desesperada,
Que chora dia e noite,
Esperando pela minha chegada!

Vou em busca da minha alma
E quero deixar de lado as ambivalências!
Segui o bem e segui o mal!
Segui à ambos e não houveram consequências!

Quero deixar de lado os extremos:

O desejo de purificar
E o desejo de corromper!
Agora, é seguir o coração
E deixar toda regra fenecer!

Vôo em busca da minha alma
Como o sedento em meio ao deserto.
Como quem sabe que seu objetivo é certo,
Porém, sempre tentou contorná-lo com calma.

E não quero mais a calma!

Tudo que quero é ver
O anseio divino ferver,
À mim, de novo, possuir
E minha trilha poder seguir!

Vou em busca da minha alma
Como quem buscou o poder!
Como quem buscou o vencer!
E agora vê que só a si quis ter!

Vou em busca da minha alma
Como quem quer as rédeas do seu destino!
Como quem quer seguir um desatino
De um sentimento que destrói a razão!

Vou em busca da minha alma
Como quem quis reformar o mundo,
Quis reformar à si mesmo,
Nada mais quis reformar
E viu que sempre andou a esmo!

Vou em busca da minha alma
Porque só quero poder abraçá-la de novo,
Poder deitar minha cabeça no seu ombro
E chorar tudo o que me obstrói o sono.

Vou em busca da minha alma
Porque no caminho da vida
Tudo que achei, comigo levei,
Mas, foi só esta alma
Que no caminho morrendo deixei…
…Que no caminho morrendo deixei…

Estou à procura da alma!

E por querer procurá-la
Já a toco!

Por querer tocá-la
Já a beijo!

E por beijá-la
Já vejo

Que entre tantas procuras
Esta sempre foi a do meu desejo!

E olhando todas as filosofias,
Todas as lutas travadas,

Vendo o sofrimento e a carência de sentido
De todas essas estradas,

Agora sim posso dizer,
Que de tantas caminhadas,

Foi buscando minha alma
Que todas quis empreender!

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Ideal perdido

sábado, 22. maio 2010 13:13

Não quero regurgitar
Velhas frases já engolidas,
Mas tantas são as lágrimas
E tão profunda é a tristeza da despedida.

Tão fracos foram os dias de glória
Que se partiram em mil pedaços,
E caindo no tempo
Se perderam no vazio espaço

Que é meu coração.

Crenças criam força.
Sonhos criam homens.
Loucuras tornam suportável a razão.

Mas realidade sem sonho
É como o avistar risonho
De sepulcral caveira
Que torna tudo enfadonho.

Ah! Mas razão sem crença
É como um útero estéril.
É como edificar um palácio
Sobre areia movediça.

Hoje só queremos viver,
Mas não era muito melhor
Quando queríamos a vida absorver,
Brilhar e reduzir a nada o pior.

Os homens tem coração negro
Mas a negritude em nós é sem igual,
Porque vimos o abismo e cuspimos
E hoje freqüentamos o tal.

Onde está nosso brilho?
Se perdeu na nossa mais cruel traição?
Inventamos tantas desculpas…
Para que?! Nem à nós mesmos convence essa falação!

Onde está nosso coração?

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Dessa turba do continuar

quinta-feira, 5. novembro 2009 8:46

Dessa turba do continuar
Nada mais quero!
Vê! Só espero
Desespero me desabrigar.

Talvez lançado à fúria das plagas da incerteza
Veja a rígida sutileza de se construir anéis:

Lançar-se ao círculo
    E voltar
       E voltar
          E voltar
             E voltar
                E voltar…

Dessa turba do continuar
Nada mais espero!
Talvez esmero
O que não deva.

Mas veja a desgraça de lançar-se
    E voltar
       E voltar
          E voltar
             E voltar
                E voltar…

À essa turba do continuar,
Na qual nada mais gero,
Inútil me enterro
   À tentar
      E tentar
         E tentar
            E tentar
               E tentar

Extinguir meus erros
E dos meus desejos
Me libertar!

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Procura

quarta-feira, 7. outubro 2009 13:00

Sombras forjei no tempo
Enquanto escondido em meio ao vento
Chamava por teu nome!

Nas noites frias
De vidas vazias
Essa procura me consome.

Vi teu semblante
Perdido em meio à luz.
Passou rápido, porém fulgurante,
E os meus olhares não te fizeram juz.

Olhei para o alto
Após recobrar a visão
E sofreu um repentino assalto
Meu coração

Ao ver que não estava mais lá!

Desde então teu nome chamo
E me uni à solidão!
Percorrendo trevas tua presença clamo!

Me ajoelhei em meio ao deserto
E chorei!
As areias nas minhas mãos
Aprisionei!

E libertei
Tanto sentir aflito!
Tanta busca sem sentido!

Deixei as aves noturnas voarem,
E se pararem,
Será longe daqui!

Uni tua força
E te conquistei!
Te tirei da forca,
No entanto, já sei:

Somos estranhos inconciliáveis
Habitando a mesma alma!
Somos criaturas insondáveis
Partilhando a mesma culpa!

Somos irmãos de sangue
Desprezando como a vida soa!
E – não se zangue –
Somos a mesma pessoa!

Partiram minha alma em pedaços
E o sentido se foi!
Cortaram-me os braços
E lutar já não posso!

Mil, dois mil, milhões
De esgares e vomitares
De nada!

Dezenas, centenas, infinitas gerações
De reconciliares
De sombra!

Mil, dois mil, milhões
De gemeres
Enquanto estamos contra

Nós mesmos…

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Nossos olhos jogados ao espaço

quinta-feira, 10. setembro 2009 13:30

Nossos olhos jogados ao espaço
E nossa mente dada aos pássaros,
Assim abraçamos chegando das trevas
À terna luz que nos cega.

E quantas vezes não olvidamos nossa caínica marca
E nem damos ouvidos à mítica Parca
Que nos ensina nos desatares dos fios
Onde nascem e para onde nos levam os nossos rios.

E então brincando de humanidade
Sorrimos à nossa simplicidade
De sob o sol se esgueirar
E nas nuvens formas perpetrar.

E talvez à nenhum outro como à nós,
Filhos de Cain,
Causa tanto prazer essa suave voz
Que enleia a raça dos justos tão sem fim,

Pois sabemos que aos instantes de suave respiração
Segue a dormência dos prazeres
E o iniciar do batalhar e da destruição
Ambos ornados de poderes.

Pois enfim nossa vida cede,
Pois além de toda vitória se perde,
A razão de tantos afazeres…

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