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À minha morte (que com certeza não é a sua)

quarta-feira, 22. setembro 2010 10:00

Já nos encontramos antes, não é?
Não foi ontém mesmo que te vi sorrir para mim
Enquanto eu cantava e dançava
Por sobre verdes e viscosos túmulos?

Então, tu sorriste para mim…
Sim… Não sei se como rameira, se como esposa,
Porém, sorriste…

Sim! Não só sorriste
Como caminhaste em minha direção
E disseste coisas amorosas ao meu ouvido…

Agora, que te vejo assim tão bela,
Depois de passado tanto-tão pouco tempo,
Vestida de tal forma que espelhas
Minha alma noturna e cheia de estrelas,
Estou possuído pelo êxtase insano da possibilidade de cortejar-te.

Bem, queria lhe dizer para que saíssemos à caminhar então,
De braços dados como dois bons amigos,
E conversássemos um pouco sobre coisas pouco peculiares.
Afinal, minha mente tão cansada já não pode (ou não quer)
Perder seu tempo com assuntos que não condigam com a banalidade.

Bem, queria lhe dizer que foi um prazer lhe rever,
No entanto, não está um pouco cedo para que conversemos?
Afinal de contas, tu prometeste voltar só na próxima primavera
E vejo que viestes já no inverno,
Um pouco antes do determinado.

Ah! Já sei! Quiseste fazer-me uma surpresa, não?
É típico de sua personalidade!
Porém, tenho que lhe dizer apesar do agrado que todo esse lisonjeio me provoca,
Deveria de qualquer forma ter me avisado para que eu pudesse me preparar.
É claro que tudo isso quebraria o espírito da surpresa
Mas, morrer assim, sem um ataque cardíaco,
Sem uma doença seriamente corrosiva,
Tenho que admitir que é por demais pouco sociável aos olhos de outrem.

Tudo bem, sei que somos amigos íntimos
E que à ti dou certas liberdades que não tem com os outros,
Mas, temos que convir (apesar da nossa mútua admiração-ódio secreta)
Que não convém, principalmente à ti, ter preferências.

Ah! Então não se trata de uma preferência!
Mas sim de um capricho!
Uma vingança-brincadeira arquitetada para sua diversão!

Não! Não me incomoda!
Mas, tenho que dizer que não entendo o motivo do ardil
E menos ainda porque contra minha pessoa.
Nããão… Claro que não. Não me incomoda e nem são necessárias suas desculpas.

Só há uma coisa que penso.

Passei a vida toda te inquirindo, te cortejando e te amaldiçoando,
Agora, já que (apesar das divergências) sempre estivemos juntos,
Não vejo o porque do nosso relacionamento tão sério, tão bem estruturado
Tenha que se consumar de maneira tão fútil.

Nããão… Imagine! Jamais poderia postergar nosso derradeiro enlace,
Mesmo que este ocorra em circunstâncias peculiares.

Que seja já!

Vem amada!
Perdoa as minhas frivolidades!

Abraça-me forte.
Fecha os meus olhos.
Deixa-me descansar…

Categoria: Morte | Comentar (0) | Autor: | 656 visualizações

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