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No Inferno

terça-feira, 29. dezembro 2009 9:19

Douro-me brandamente deste céu
Que do vermelho agora se tingiu.
Cingiu-me a seu contento e me despiu
De forma, de alento, força e broquel!

Como desci ao absoluto fel?
Imergi-me neste avérnico rio
Que, Narciso de mim, me seduziu?
Assim parti deixando-me ao léu.

A forma já não é nada. Ela parte.
O alento já não me vem. Ele vai.
A alma já não responde. Ela arde

No abismo de sentimentos e culpas!
Onde irei habitar, eu que sem pai
Perdi-me no fragor de tantas lutas?

Categoria: Soneto | Comentar (0) | Autor: | 828 visualizações

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