Pego uma folha qualquer

Pego uma folha qualquer
E sequer
Noto ou penso
Como vou escrever.

É que
De lagos fétidos
Onde se foram derramados
Litros e litros de escórias humanas
Vejo, insanas,
Vozes mundanas que permeiam o gramado
Dos meus inquéritos
Sobre o divagar
E o navegar
Da luz por sobre a sombra
Tal qual pérola flutuante
Sobre negro lôdo.

Tal pedra, espelhando um diamante,
Brilha insistentemente ao luar.
E na hora de se derramar
O ponto nodal
Por sobre florestas de vísceras disformes
Poderá se empregar então
Um novo vocabulário
Por sobre o qual
Rolam pedras
De hieróglifos incontidos
Onde registrou-se
A morada de onze ferozes ferinas feras
Que nas férias da dissecação
Puderam visitar um amigo legista
Em sua cabana
No alto da montanha.

Mas quando a final façanha
Se sobrepor aos nossos anelos
Veremos que anéis singelos
Circundam formas derradeiramente noturnas
Enquanto viagens são empreendidas
Em busca de nada.

Autor: | 1.087 visualizações
Data: sexta-feira, 15. abril 2011 10:06
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