Bipartido e bipartido

Bipartido e bipartido
Com que arte
Minh’alma se reparte.

E cada pedaço,
Do caminho o cansaço,
No caminho me refaço.

Mas mal trago de volta um pedaço de mim,
Outro se revolta, se desfaz assim…
Como poeira atirada ao vento.

Como pedras que se desempedram a contento.

Coesão!
Eis uma virtude quase beatífica!
Mas minha constituição nada pontífica
Cai em desconexão.

Rolam e rolam de mim os pedaços
Vítimas dessa lepra espiritual.
Caem estando no da amada o regaço
E caem na solidão sepulcral.

E não há doutrina!
Não há credo!
  Não há força!
   Que possa me reconstituir!

Já sou a separação encarnada
Que descarnada…
…Nem essa idéia irá persistir.

E as virtudes e os horrores
Assim à metade espalhados pelos campos do mundo
Hão de fecundá-lo
Mas não produzirão nada além de entulho.

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Data: quarta-feira, 2. setembro 2009 15:00
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