“Dá-me o timão desta nau, ó marujo,

“Dá-me o timão desta nau, ó marujo,
E veremos onde haveremos de chegar!
Eu sou um argonauta assaz obtuso
E me atiro aos monstros sem sequer olhar!

Vede que além deste horizonte,
Mais que o Sol, mortes e mortes nos esperam!
Lá uma lua de infortúnios nos será a ponte
Para os horrores de uma noite de gritos que reverberam!

Mas eu, ó marujo, só sou um argonauta!
Um homem afeito ao mar e a luta.
E como quem se entretém com musical pauta
Sigo buscando o ardor que à multidão enluta.

Pois este ardor de morte reviveria esta alma estúpida
De seu letárgico sonho de indecisões
E além neste mar busco a vida não corrupta
Que pode dar fim à todas as vacilações!

Mas tal qual nova Hidra assim vejo meu destino:
A arte de cortar cabeças de monstros eternamente
É esta que durante a vida pratico e ensino,
Buscando ruidosa e estrepitosamente

Cortar a última que enfim me libertará!

Opaco o brilhar dessas vagas, homem!
Navegar por elas é como caminhar por brumas:
Este feitiço de espumas nos encerrará!”

O homem afeito ao mar…
O porto lhe é libertação ou martírio?
A clareza do sol, cegueira ou colírio?
Meu caro, nem ele nunca há de constatar!

Autor: | 713 visualizações
Data: quinta-feira, 3. setembro 2009 14:00
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