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No Berço de um Amigo Errante

quarta-feira, 2. fevereiro 2011 11:03

Te vejo, ó criança,
Por lençóis circundada.
Quem diria te vendo assim, tão singela no berço,
Que tua existência seria tão enclausurada?

Hoje rasgando o véu do teu futuro pelos teus olhos infantis
Ouço, como Caminhante das Trevas que sou,
Os lugares sombrios que comigo, companheiro, visitastes.
Os lugares que tua forja incomum te levará-levou.

Nós dois, criados de materiais diferentes,
Porém os de ambos peculiares,
Fizemos caminhadas atrozes
Perseguidos por dúvidas seculares.

E hoje, ó criança,
Fruto do teu passado que descreves
No olhar perdido no espaço
Que concerne os caminhos que trilhar deves!

Te vejo, ó criança,
Como eu sonhando com o caminhar
Sabendo ou não se nele se encerra o sentido
Com um “quê” na alma que busca explicar.

Te admiro, ó criança!
Teu coração de trevas-luz
Foi esmagado até a destruição
Para a qual não encontro jus.

Tua esperança reduzida ao nada
E tua confiança reduzida ao vácuo.
E só restou na tua alma
Um articular de planos opaco.

Te convidaria a alçar asas pelos caminhos noturnos,
Mas não o faço porque sei
Que tua natureza, putrefata e fúnebre,
Para ti é uma lei.

Mas meu amigo,
A mim e a ti convidaram para descer
Ao abismo da alma humana
E assim a todos e a nós conhecer.

Mas meu amigo,
O que não aprendestes
Foi a sorrir
Quando de fato devestes.

E se o abismo te olha
Quando dentro dele você olhar
Com certeza se você rir
Ele com você rirá.

Então, ó companheiro,
Vê se alça essas asas noturnas e voa,
Mas não negue sua natureza,
Nunca, jamais, pelo tempo que da vida se escoa.

Sêde, ó Alma do Mal,
O abarcador das trevas e da luz
E não se perca (e nem perca tempo) no caminho,
Que a mente, mas não o coração, conduz.

E se o tempo lhe parecer muito,
Lembre-se que mais ameno foi a muitos,
Mas, mais construtivo foi a nós,
Que caminhamos juntos.

E fechando as portas visionárias
Que a contemplação do teu novo corpo me abre
Posso lhe afirmar que nossas almas antigas
O caminho ao nascer escrito em si já trazem.

Agora criança, despeço-me.
Toco tua fronte.
Agora é chegada a hora
De triunfal cruzar o Aqueronte.

Até breve, amigo…

Para Roberval Ranches

Categoria: Amigos e Caminhos | Comentários (1) | Autor: | 2.703 visualizações

Edificar

domingo, 30. janeiro 2011 9:42

Fiz muitas caminhadas.
Nelas às vezes o Sol me acompanhava,
Em outras a Noite era a amiga nessas estradas.
Tantos velhos ideais visitei
Porém nenhum era aquele que buscava.

Vendo as pessoas seguirem a contragosto
Estradas pré-concebidas
Quis deixá-las todas
Sem maiores despedidas.

Porém enquanto eu deixava as velhas estradas só ouvi:

“Ai de ti que quer ir sozinho
E seguir seu coração!
Mas, ai mais de nós, não temos razão:
Estamos à contragosto neste caminho!”

Penetrei na mata à beira das estradas
E comecei sozinho meu sonho edificar!
Esse sonho não apenas de criar e ensinar,
Mas, de aprender, sofrer e amar!

Com o tempo muitos passaram
Curiosos onde estava:

Uns cresciam comigo e colocavam
Seu tijolo na obra.
Outros apenas queriam roubar
Os poucos que nos sobravam

E diziam:

“Sois egoísta! Edificaste um sonho à sua maneira!
Não segues regras?
Sua mente a loucura beira?
O que tem de melhor seu coração louco
Do que os que seguem um sonho já pronto?”

A esses nada respondia.
Não era necessário falar.
Pois, apesar de negarem,
Eles conhecem o seu pesar:

O de serem criaturas sem ânsia!
Seres sem vida!
Que dia a dia vivem
De ideais cruel despedida!

Podem tentar me parar!
Mas é a vontade de voar
Que me mantém nas alturas!

É a sede de mudar
Que me dá loucuras!
E isso não me podem roubar!

Faço o que faço porque amo!
E se não fosse esse amar
Como exigir o direito humano
De um sonho edificar?

Para a regente do coral municipal de Limeira,
Andréia Siqueira,
que ousou tomar um caminho só seu

Categoria: Amigos e Caminhos | Comentar (0) | Autor: | 767 visualizações

A Poetisa do Castelo

quinta-feira, 4. fevereiro 2010 22:41

Recentemente encontrei alguns escritos que julgava perdidos. Fiquei muito feliz em ter encontrado este, feito há uns 9 anos atrás, para uma amiga e companheira de versos: Débora Pereira

A poetisa do castelo está debruçada na janela da torre…

…Cansada das liras e danças,
Entediada com as tiras e nuanças
Retirou-se para os seus aposentos.

Ali acariciada pelo sol de tíbios raios
Fica entre a vigília e do sono o desmaio
A acalentar sabe-se lá que tormentos.

Ela anseia mas não fala.
Ela sofre mas não chora.
Ela quer… Mas a vontade resvala…

…Pelos dedos de sua mão…

Ela sonha com enredos que lhe cobrem de alturas.
Ela morde o lábio com os segredos da clausura.
Ela busca a lábia da serpente e os olhos do dragão.

Mas de tudo o que seu espírito verte
Quem teria o valor de ser intérprete?

Pois sua mente repleta de personagens e estranhos
Povoa o seu quarto de espíritos tamanhos
Que apavorariam o mais nobre guerreiro.

E fantasioso e feérico o seu cantar,
Mas mesmo assim só faz desesperar
Aquele a quem este toma por herdeiro.

Canta do triunfo do demônio,
De visitações em sonho
Que tudo fazem abismar.

Canta das lendas do açoite
Que gritos solta na noite
De atormentados a desvairar.

E ai! Canta do amante que em cinzas
Povoa o sonho mas não alisa
As linhas de sua (e)terna mão sem par.

Pois este castelo de festa e bulício
Tornou-se barulhento presídio
Para o seu espírito em amplidão.

E agora prisioneira da alma o suplício
Vê-se enclausurada no solstício
De um inverno além de toda imaginação.

É o frio de trovadores bêbados e estúpidos.
É o nada de reis gordos e tacanhos.
É o gelo do eterno prazer tépido.
É o desabrigo de toda sorte de sorriso esquelético.

E enregelada abriga-se e vai agora para o além profundo do seu interior…

A poetisa do castelo está debruçada na janela da torre
Mas em sua alma ela está diante do penhasco.
Barganhou por asas que toquem a lira de quem ouve
Mas não implorou por ouvidos não dissonantes como o aço.

O seu mergulho para o espírito
É uma viagem ao mar do eterno suicídio.
As pedras na morte não a amparam
E não morrendo chora as ondas que a afogam.

Ir de encontro ao seu destino
É justamente permanecer no limite.
Pois em sua vida há dois abismos:
O da porta que se fecha e da janela que se abre.

A porta tranca para fora os monstros que festejam
E a janela abre a jaula das quimeras que no seu interior habitam.

Mas haverá um dia que, como Ismalia, ela não vai aguentar.
Vai confiar em suas asas e vai querer para o espaço se alçar!

Vai subir no batente da janela
E fazer o que seu espírito anela:

Lançar o seu corpo para a Terra
E seu espírito para o Ar!

Categoria: Amigos e Caminhos | Comentar (0) | Autor: | 983 visualizações

Poesias Ruins {Po(v)e(r)t[r]y} ForJu (H.B.)

sábado, 3. janeiro 2009 6:40

Lá fora o frio e a neblina
Esgueiram-se por entre as pessoas,
Reclusas cada uma em sua particular sina,
Enquanto eu, cheia de pensamentos à toa,
Sem nexo, sem importância,
Sem a instância
De algo concluir,
Observo pela janela essas personagens
De passagem
Das quais sequer conheço a metade.

O sol cansado,
Fatigado e entediado,
Cumpre seu papel como por obrigação.
Parece que esse astro incendiado
Não tem a menor intenção
De com seus raios a neblina atravessar.

Olho para essa estrela diurna,
Três horas além do seu ápice,
Três horas aquém do seu ocaso
E, por acaso,
Puxo uma folha e um lápis
E o começo a desenhar.

Plasmo no papel as névoas densas
Que se confundem com as nuvens preguiçosas
E por trás dessas barreiras imensas
Coloca a esfera opaca no seu forçoso brilhar.

Olho para o papel com desdém.
Os traços que ele contém
São o espelho de um dia
Em que a monotonia
Tudo faz andar devagar.

Olho novamente pela janela
E como a Terra parece mais velha!
Os poucos carros nas ruas
E das faces as luas
Parecem uma cheia ostentar.

Os rostos estão inexpressivos e vazios,
Enquanto mãos nos bolsos, fugindo do frio,
Denotam o querer se ocultar.

Volto à mim
E ao meu redor.
Minha janela já não é mais uma janela.
É uma porta que leva a um corredor

De reflexões!

E nessa janela já não vejo o “lá fora”
Mas o meu reflexo que agora
Me leva à divagações!

Meus traços, meus olhos, minha boca.
Penso: “Louca!”
“Nada parece que se alterou!”
No entanto, mais um ano se passou.

É. É o meu aniversário.
E nesse cenário,
Vejo que tudo e nada mudou!

Atrás de mim
Vejo uma adolescente,
Uma criança
À margem do atual fim.

Atrás de mim:
Paixões, desvios,
Ideais, frustrações, alívios,
Brincadeiras bobas,
Decisões loucas,
Risos,
Lágrimas,
Páginas
De muitos livros,
Páginas
De muitos escritos

De cartas,
De memórias,
De vitórias,
De derrotas,
De notas,
Bilhetes de amores
Em ramalhetes de flores
Que recebi (ou foi imaginação?)

Atrás de mim:
Amigos, inimigos,
Brigas, reconciliações,
Intrigas, emoções,
Abraços, beijos,
Loucos desejos,
Festas,
Promessas,
Reconstruções…

     …Quantas estações!

Lugares,
Patamares,
Sonhares…

     …Quantas situações!
     Tantas perambulações…

…E o melhor!

Saber que tudo isso
Participou na construção
Do que hoje eu sou,
Das partes do meu coração!

Saber que tudo isso
São transformações de mim
Que resultaram aqui mesmo
Enfim!

Reconhecer
Cada erro como um passo do meu espírito
Em busca de si mesmo,

Compreender
Cada vitória como um passo do meu desatino
Que se recusou ao esmo

E empreender!
Novas viagens pelos anos que passam
E novos mundos
Nos futuros que se ocultam!

Categoria: Amigos e Caminhos, Poesias Ruins {Po(v)e(r)t[r]y} | Comentar (0) | Autor: | 649 visualizações

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