Arquivo para a Tag » O Fim «

Abro assustado os olhos pela manhã

quarta-feira, 17. novembro 2010 10:36

Abro assustado os olhos pela manhã
E já sinto o meu afã
Estou à um passo da desesperação

Venho de um pesadelo distante
Num mar de lúgubre embriaguez incessante
Vítima do ensurdecimento da razão

Minha alma em revolta
Nas névoas aguarda sua escolta
Para um desconhecido sepulcral

Eu estou me desfazendo
O tempo me corroendo
Sou um cadáver austero e banal

Pois passeiam pelo chão as folhas de outono
Mas eu sou um cão sem dono
Estou rastejando pelo cemitério fatal

As lágrimas da minha sede
É a minha vontade que cede
Caindo em desesperação final

Caindo na desesperação final…

Os pedaços da mente
São fotos do passado que atende
As necessidades desses dias de cão

Pois as recordações
São as alucinações
Das drogas que injeto no cotidiano…

…Suprindo as necessidades desses dias insanos

E sigo todo dia em frente
Empurrando minha carcaça decadente
Mas mente minha movimentação

Pois estou parado na vida
Com a cabeça apodrescida
Com os pedaços de um nada em ação

Racham as paredes do apartamento
Cai por sobre a terra o tormento
Dos dias que passam no vazio

A encanação está destruída
E a chuva que me intimida
É o círculo que me restringiu

Mas congelo minhas lágrimas
Pois o vento do inverno leva as páginas
Do ímpeto que um dia me atingiu

Nasci na primavera
Fui forjado no inverno
E assim meu coração se cingiu

No verão sequei
Esqueci tudo o que amei
E no outono fiquei amarelo e frio

Jogaram os dados da vida
E as estações perdidas
Escorrem pelos meus dedos

E a morte me aperta o ventre
Eu sou uma chama convalescente
Esperando o fechar dos teus medos…

Categoria: O Fim | Comentar (0) | Autor: | 639 visualizações

Mulher Demoníaca I

quarta-feira, 11. agosto 2010 8:56

Ah Tu que fria
Ergue-te assim
Diante de mim
Altiva e esguia,

A me olhar
Com o olhar das serpentes!

E em meio aos movimentos eloquentes
Da tua língua audaz
Vi o portento que nos traz

Desejar-te, ó carne feminina,
Caixa de Pandora
Contedora de prazer!

Vêde que feliz creio que te sei fazer
Se nos meus braços lhe envolver
E olhar nos teus olhos negros e demoníacos
Que tua vilaneza denotam,
Ó mulher sombria,
Filha arredia
De um apátrida sem par!

Vede que pousando minha mão por detrás da tua cabeça,
Enquanto a outra pelo teu corpo talvez desça,
Posso sentir mais profundamente, ó força,
Que vejo encerrada nesses olhos felinos!
Nesses belos traços femininos!

Mulher!
Teu perfume é o vácuo que se encerra no coração!
Tua atração é a frieza e o cálculo da tua razão!

Ó morena de olhos malditos,
Como eu te amo!
Digo mais!
Me sinto diante de algo luciférico,
Me parece que as chamas do inferno
Ardem no formato lindamente esférico
Dos bicos dos teus seios!

Mulher! Tu és lindamente pérfida!
Maravilhosamente macabra!
Perfeitamente fétida!

Fazer amor contigo
É como adorar o demônio!
Beijar-te o umbigo
É despertar fúria
Que ensoberbece o coração e faz injúria
Às coisas divinais!

Ó morena fria
De lábios cheios de lembranças sepulcrais!
Ó morena fria
De infernos lindamente vaginais!

Penetrar-te é mergulhar no Averno!
Alucinar-te é compactuar com o eterno…
…Eterno gozar de prazeres do Orco!

Ó morena fria
De falar tão terno!

Categoria: Certas mulheres, O Fim | Comentários (2) | Autor: | 976 visualizações

Porvir V

quarta-feira, 12. maio 2010 15:32

Horrores na mente culminas
E as forças minas
Em incansável perfuração!

Tua alma é rocha sólida
Que insólita
Lhe impede a continuação!

Categoria: O Fim | Comentar (0) | Autor: | 783 visualizações

Porvir IV

quarta-feira, 12. maio 2010 15:30

Verterás loucuras impróprias e ímpares
Que se perderão na censura
Das pornografias
Que a usura
Incitou nos inimigos que alias!

Perderás tua virgindade com sórdida prostituta
Que inculta
Lhe ensinará verdades sobre o amor!

Cagarás nos berços dos teus filhos
E nos terços das beatas
Vomitarás!…

Categoria: O Fim | Comentar (0) | Autor: | 727 visualizações

Porvir III

segunda-feira, 5. abril 2010 15:06

Demônios culminarás nas sombras
E pelas alfombras
Verás os teus anseios
Perdidos nos seios
Que beijaste!

E tocarás no peito da Morte,
Pois quando o acariciaste
Decidiste adorá-lo pela eternidade
E com liberdade
Que te denota o pesar!

Categoria: O Fim | Comentar (0) | Autor: | 769 visualizações

Porvir I

quarta-feira, 6. janeiro 2010 18:11

Viverás para viver
Mas não para ver
O dia
Em que tuas derrocadas
Se acumularão nas estadas
Que fizeste no negror!

E agora com estertor
Declamarás versos furiosos
À todas as bestas do apocalipse
Durante o derradeiro eclipse
Que se joga sobre o sol!

Categoria: O Fim | Comentar (0) | Autor: | 759 visualizações

SEO Powered by Platinum SEO from Techblissonline