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Do sôfrego jardim das delícias

quinta-feira, 17. março 2011 13:32

Do sôfrego jardim das delícias
Vem ele dançando:
Ó ser humano!

Vítima e precursor de todas as sevícias
Lá vem ele flutuando:
Ó néscio insano!

Do coração de toda arte e ciência
– Que se tenha clemência -
Vil mundano!

Dos bailes!
Das luzes!
Dos fulgores!
Ostentando amores!

        Que se lhe dê flores!

                Cruel engano…

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A transparência das lágrimas

terça-feira, 15. março 2011 10:05

Do vermelho o rubor
Ou o sangue
Já não nos interessa

Queremos apenas a calma pressa
Que consome dia após dia o enxame

De árvores ancestrais
Decaídas em meio à torrenciais
Ataques, depredações e vozes de comando.

Pois do verde das formas primevas
Nada restou além da transparência das lágrimas…

Mas nas páginas dos jornais
Em branco e preto vê-se claramente crescer a cor verde dos dólares.

O verde que, como das frutas,
É o verde da imaturidade
De uma humanidade
Mais degenerada e carcomida que velhas árvores.

E das árvores bipartidas
Queremos ao menos um epitáfio antes da asfixia da terra
Que no fim nos guarda e encerra.

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Uma moeda e uma enciclopédia

quinta-feira, 10. março 2011 13:20

Uma moeda para o tolo!
Uma forca para o sábio!
Uma enciclopédia para o bastardo!

Um doce lábio
Cortado em meio ao furioso brado
De se arquivileplanejar vinganças!

Maldita intelecção!
   Maldita dissecação!
     Rios de protoplasma!
       Ataques de asma!
         Ereções incontidas!
           Mulheres despidas
             Na imaginação!

Cruel, cruel brincadeira.
Infeliz, infeliz asneira
De pensar!

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Uma moeda e uma forca

quinta-feira, 3. março 2011 15:52

Uma moeda?
Para o tolo!

Uma forca?
Para o sábio!

Teus dias já foram melhores,
Meu caro otário!

Mas não há de ser nada!
Pois nesta maravilhosa escada
Colocaram no alto os que pensam e matam
E embaixo os que vivem e não lacram

Seu coração!

E nesse orgasmo masturbogenerado
Continuaremos:

Uma moeda para o tolo
E uma forca para o sábio!
É tudo o que queremos!

Mas o que temos?

Uma forca por um denário
E uma corda por uma moeda,
E se queda

Diante de nós as nossas divagações!
Nossa intelectual masturbação!

Um conto
Para o contador de histórias!

O vinho do esquecimento
Para a memória!

Pois a taça preenchida é inútil!

E segue a intelectualidade:

De sentidos castrados!
De viver alquebrado!
De coração conturbado
E de pensar elevado…

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Maldição II

quinta-feira, 24. fevereiro 2011 11:14

Horas são aquelas
Em que deitada no leito
Vi teu sangue escorrer da tua boca
Senhora tão bela!

Transformastes a ti numa vilaneza singela
Que, digna de admiração,
Contém o êxtase na putrefação!

Verei dos teus dias
As noites frias
Corroerem-lhe as entranhas
Enquanto barganhas
Com os deuses pela liberdade
E em ansiedade
Ficarás a chorar!

Haverão aqueles que dirão
Que foi inglório
E os teus antigos amantes dirão:
“Injusto!”
Mas, à mim, sem susto
Virá tua derrocada
E destroçada
Hei de te contemplar!

E só então verás
Os males que, sagaz,
Perpetrastes nos caminhos,
De nós que semelhantemente sozinhos
Ficamos a vagar
E a de ti lembrar!

…Amaldiçoar!

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Tal qual inocente flor

terça-feira, 22. fevereiro 2011 9:57

Tal qual inocente flor
Desenhada pelas mãos de uma criança
Floresceu meu coração para o amor.

Porém, num mundo que enclausura os poetas sanguíneos,
Meu amor foi aprisionado
Tal qual flor dentro de vítrea redoma!

O domo distorce as minhas visões.
O domo rege as minhas sensações.
O domo converte minhas externas percepções.

Fui condenado à viver o amor livre…
        …De mim mesmo!

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Autofagia

sexta-feira, 18. fevereiro 2011 12:00

Cuspir e beber o escarro,
Jurar largar
E novamente cair em desvairo,

Talvez seja essa a dualidade
Sem sentido do viver:
Não se fazer planejando como se faria.

E de tanto sonhar,
Tanto querer,
A falsa moral nos joga nesta Autofagia.

Sentimos o ensejo
Mas perdemos o sabor!
Temos o desejo
Porém obscurecemos seu valor!

Por que?!
Por regras que ninguém entende?!
Por tradições que ninguém compreende?!

Tolos somos nós!
Seguimos uma lei
Que só nos faz ficar sós
Aqui na escuridão!

Vida obscura
De um caos insano!
Que em meio à loucura
Forja um plano

De construir!

Por cima de uma pseudo-ordem
   Vivemos.
Existimos na nossa mais real desordem!
E ainda há aqueles que não concordem

Com este pensar!

Debaixo da moral
Colocamos a felicidade!
E o que ganhamos?
Praticamos escondidos a nossa feliz “iniquidade”!

E muitos sofrem
   Escondidos
Com seus desejos
   Obscurecidos

Procurando a razão!

E o que mudamos?
Nada!
Vivemos sob velhos moldes!

Desejar, reprimir, fazer e… continuar!

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Juventude

quarta-feira, 16. fevereiro 2011 10:39

Somos filhos do tempo.

Nos apraz caminhar ao relento
Para nunca estarmos sós.

Nos embriagamos sempre.

Não pelo prazer,
Mas para que a mente
Não nos importune ao adormecer.

Desviamos nossa atenção do mundo.

A música é nossa irmã-filosofia
Não precisamos da sabedoria
Só queremos o solar da guitarra rico e profundo.

Que nos importa se nos tornaremos bestas engravatadas?

“Quero me divertir e sair!
Que me importa se mais tarde
Viverei anos com alguém que não quero,
Com filhos que não saberei educar?”

“Quero comer mulheres gostosas!
Todos querem um papo dez.
E se possível,
Que venham todos cair aos meus pés!”

E passam os anos…

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Nós somos, nós tentamos

segunda-feira, 14. fevereiro 2011 13:53

Cantar versos abismais,
Chorar lágrimas fatais
De tristezas esquecidas:
Estamos sempre falando da vida.

Tentamos esconder suas incongruências
Mas tanto faz:
Na decência e na indecência
Não há cadência, nem paz.

Tentamos em vão explicar
O fulgor do passado,
A passividade do presente
E o amargo sabor do inexperimentado.

Se o suor fosse todo nosso,
Se o fedor fosse todo seu…
Mas a mescla aqui não permite divisões,
Padrões e canções do seu e do meu.

Arrastai seus filhos para as sepulturas
Assim que eles escorregarem de seus ventres,
Ó formosas mães, cheias de doçuras,
Esta é a verdadeira filosofia dos crentes!

Qual é o padrão
Desta desregrada cavalgada
Que experimentamos nós
Que estamos sós?

Nos unimos por obrigação,
Nosso amor é só ilusão,
Por que construímos muros
Regras e morais para esta prisão!?

Bebei irmãos do néctar de uma vagina.
Urinai na boca de seus inimigos.
Sorvei comigo a essência da diversão.
Não será em vão!

Construamos uma casa de prazer.
Vamos dar cultura aos nossos filhos
Para que se tornem grandes fodedores,
Amantes do sexo e das belas palavras.

Vamos cantar uma louca canção.
Matar nosso mais fiel amigo.
Vamos nos destruir!
Essa é a nossa humana decadência!

Lágrimas da verdade!
Quem somos nós
Que vivemos tão sós
Aqui na escuridão?

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Uma era se vai

quarta-feira, 7. julho 2010 14:00

Uma era se vai
E outra se levanta.
As coisas são como são: se sucedem.
Isso não me espanta.

Deixar para trás
Faz parte do processo,
E ficar possesso,
Não dar vazão à paz,

É uma grande besteira.

As multitudes vêem
Os períodos glórios
Como imbatíveis territórios
Ou obeliscos gigantescos,

Mas para forjar pretextos
Ante à passagem do tempo
Erguem altares à ídolos adornados de adereços
Aos quais louvam mesmo diante do rugir do erosivo vento.

Então, assim não se adapta ao novo
A mente humana,
Essa analfabeta insana
Que se julga detentora do poder ao impedir o quebrar do ovo.

Bem, de fato não o impede,
Mas prefere viver em mundos virtuais
Onde o pássaro-demônio ainda nem passou
Do que observar a casca que diante de si cede
Ante as investidas cerberais
Da noite que ali se ocultou.

E quando o recém nascido
Estende suas asas flamígeras
Abarcando toda extensão do manto noturno,
Essa velha afirma ver o mesmo cansado sol enfraquecido
Na já conhecida celeste abóboda ridícula
Sob um ar causticantemente diurno.

Arranquem os olhos então!
Cegos!
E vejam!
Nessa cruz não há pregos!

Nem sangue!
Nem mártir!
O tempo já deixou à parte,
Por sob a terra,
Esses ares aos quais fazem tal alarde!

Não é hora de se masturbar
Em nome da moribunda esposa!
É hora de nova amante!
Nova alcova!

É hora de novos demônios enfrentar
E deixar velhos guerreiros
Finalmente e impostergavelmente
Ao descansar!

Por isso
Assassinai os ídolos!
Buscai nos vestíbulos
Pelas sombras do passado,

Mas por favor,
Não vão ficar aí parados
Ouvindo conversas de comadres
Provindas de sermões de padres!

Não vão ficar aí por fim
Dizendo: “Ó quão belas são minhas estátuas de marfim!”

Só vocês não percebem:
Estátuas não se movem!

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