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Na vermelhidão dos teus olhos azuis

quinta-feira, 17. setembro 2009 8:30

Na vermelhidão dos teus olhos azuis
Vi o enfado dos teus dias:
Correr, correr, em busca de um pôr-do-sol
Em que as horas não sejam marcadas pelo martelo e sua batida fria

A labuta se descreve no contorno dos teus calos
E tua história se vê esculpida nas cicatrizes da mão.
Tua disputa, tão breve, e teu doloroso desmaio
Fugirá da memória pervertida dos matizes do chão.

A terra te é um campo de sofrimento
E tudo o que se ergue sobre ela, ela destrói.
Teus olhos em busca do alento no firmamento
Encontram apenas o sol que na luz tua retina corrói.

Tua força que retira da tua obra
Nela volta a depositar,
E teu esforço sempre retorna
Aonde antes veio brotar.

Contar teus dias seria estupidez
Pois comparados pareceriam um só,
E nem os momentos de torpe cupidez
Te salvariam de retornar ao pó.

Mas muitas são as virtudes e os dissabores do lobo:

Na solidão da noite
Onde seu inferno se lança
Uiva pro céu
Despido de esperança.

Corre pela savana
Em busca da fonte e do rio.
Sua força vem da caça
Mas seu espírito do desafio:

De continuar mais um dia sobre a terra,
Carregar o inferno para além do vazio.

E lembrar no dia em que a morte se acerca
De depositar nos ossos toda a dor e todo o frio

Para que no mundo do espírito não tenha na certa
O olhar do moribundo e o pensamento vazio.

Categoria: Apokolips | Comentários (1) | Autor: | 839 visualizações

Nossos olhos jogados ao espaço

quinta-feira, 10. setembro 2009 13:30

Nossos olhos jogados ao espaço
E nossa mente dada aos pássaros,
Assim abraçamos chegando das trevas
À terna luz que nos cega.

E quantas vezes não olvidamos nossa caínica marca
E nem damos ouvidos à mítica Parca
Que nos ensina nos desatares dos fios
Onde nascem e para onde nos levam os nossos rios.

E então brincando de humanidade
Sorrimos à nossa simplicidade
De sob o sol se esgueirar
E nas nuvens formas perpetrar.

E talvez à nenhum outro como à nós,
Filhos de Cain,
Causa tanto prazer essa suave voz
Que enleia a raça dos justos tão sem fim,

Pois sabemos que aos instantes de suave respiração
Segue a dormência dos prazeres
E o iniciar do batalhar e da destruição
Ambos ornados de poderes.

Pois enfim nossa vida cede,
Pois além de toda vitória se perde,
A razão de tantos afazeres…

Categoria: Interlúdio | Comentar (0) | Autor: | 781 visualizações

Busco um bom perfurador de olhos

quarta-feira, 2. setembro 2009 11:00

Busco um bom perfurador de olhos
E uma excelente panacéia universal
Para que viva incessantemente
O mistério da revelação carnal.

Afinal perfurar os olhos uma vez
Para se ter a dádiva da iluminação
É tão pouco
Que à mim não me dá satisfação.

Quero fazê-lo até que o cegar-se
Transformando-se em lugar comum
Se torne a verdadeira visão
Que me levará a ver melhor do que qualquer um.

Categoria: Revelação | Comentar (0) | Autor: | 715 visualizações

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